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Última edição 23 de dezembro de 2008
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Folha de S.Paulo - Luís Nassif: A intransigência no saneamento - 01/07/2004
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LUÍS NASSIF

A intransigência no saneamento

É curioso o que ocorre com a questão do saneamento no país. Até alguns anos atrás não havia demandas de políticos para esgoto tratado. Hoje, há fila. O saneamento, finalmente, entrou na agenda do país e pela primeira vez tem endereço, o Ministério das Cidades. Existem formas modernas de financiamento, agentes privados disponíveis, associações representando os diversos agentes, com interlocutores para um debate político-técnico.
O nó do saneamento reside no fato de o setor não se entender e não sair da casca. Briga-se para dentro, entre eles, não há um arbitramento externo, situação que leva à paralisia completa. É o que impede o saneamento de se tornar prioridade nacional.
As raízes do impasse remontam ao final do Planasa, o plano implantado nos anos 70, extraordinariamente bem-sucedido, que permitia estender a água tratada a praticamente todo o país. Era fundado em grandes companhias estaduais financiadas com recursos do FGTS, com os municípios praticamente sendo instados a aderir a elas.
O modelo esgotou-se antes de universalizar a captação e o tratamento de esgoto. O fim da ditadura marcou a politização e a piora de gestão das companhias públicas e o início de um novo federalismo que, compreensivelmente, levou à radicalização entre os entes federados -no caso do saneamento, entre Estados e municípios, em torno do tema da titularidade (quem define a concessão).
A discussão toda consiste em saber quem define essa lógica socioeconômica. Hoje em dia existem 23 empresas estaduais de saneamento, 2/3 das quais operacionalmente deficitárias e politicamente arrogantes no trato com os municípios.
A reação tem sido a exacerbação de um municipalismo, pretendendo passar para cada município a decisão sobre seus serviços de saneamento. A radicalização chegou até o Ministério das Cidades, que apresentou um projeto de lei para saneamento que tira completamente o poder das estaduais e o remete para consórcios de municípios -que nem sequer existem-, sem definir formas de atuação e de indenização dos ativos das estaduais e tudo o mais. Corre-se o risco de desmontar um modelo que pode ser aprimorado e não colocar nenhum no lugar.
Ocorre que, diferentemente do SUS (Sistema Único de Saúde), o saneamento não pode ser tratado pelos municípios de forma isolada. As cidades estão interligadas por bacias hidrográficas, compartilham a mesma água e têm obrigatoriamente que conversar entre si. E universalização do sistema não pode depender de recursos orçamentários: o setor tem que ser auto-sustentável. Isso implica os consumidores (regiões ou cidades) de maior poder aquisitivo bancar as regiões economicamente menos interessantes.
As duas partes -Estados e municípios- têm suas razões e também suas intransigências. As estaduais têm razão em querer preservar sua lógica econômica. Os municípios têm razão em pretender uma participação mais efetiva no planejamento de investimento das estaduais. A saída passa pela construção de um arcabouço que permita o compartilhamento das decisões entre as duas partes, sem comprometer a lógica econômica das companhias.

E-mail - Luisnassif@uol.com.br

Folha de S.Paulo - Luís Nassif: A Embrapa industrial - 15/06/2004
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LUÍS NASSIF

A Embrapa industrial

Não há necessidade da criação de uma Embrapa industrial. Ela já existe, foi montada nos anos do "milagre", está em uma região próxima ao Rio de Janeiro e atende pelo nome de Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). Na grande guerra comercial dos tempos atuais, é uma das principais armas competitivas de que dispõe o país.
O Inmetro tem a Tecnologia Industrial Básica, que em todos os países desenvolvidos está sob controle estatal. É um dos poucos setores em que os EUA mantêm controle estatal, por meio do Nist, que tem 800 Ph.D.s, US$ 1 bilhão de orçamento anual e pendurado no Departamento de Comércio.
Suas funções passam pela metrologia (definir medidas), pela avaliação, pela conformidade (avaliar processos) e pela creditação de organismos e laboratórios em organismos internacionais.
No caso da metrologia, cada Estado tem seu Instituto de Pesos e Medidas. O Inmetro exerce a coordenação geral e tem poder de polícia administrativa, podendo, por exemplo, interditar uma bomba de gasolina, apreender produtos e multar. Mediante convênio, o órgão tem transferido esse poder para os Institutos de Pesos e Medidas.
Já a estrutura de creditação do órgão é composta por 640 organismos e laboratórios credenciados, auditados uma vez por ano. Hoje em dia um produto com a certificação do Inmetro dificilmente será obrigado a se submeter a uma segunda certificação internacional, graças ao prestígio angariado.
No campo da Metrologia Científica e Industrial, cabe ao órgão definir a universalidade da medida, a rastreabilidade (de onde veio, para onde foi o produto) e a intercomparação com outros países.
O órgão foi criado nos anos 70 para certificar equipamentos do programa nuclear. Definhou nos anos 80, com o fechamento da economia. Renasceu nos anos 90 com a abertura da economia e se tornou aliado fundamental do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade.
Hoje em dia, sua atuação passa por políticas de competitividade, de saúde, de segurança e ambiente e, em última instância, de acesso a mercados. Graças à certificação, as frutas brasileiras ganharam mercado na Europa e as orgânicas conseguem ser vendidas pelo dobro do valor.
Para enfrentar as barreiras técnicas, o Inmetro tem atuado em dois campos: o conceitual, participando de discussões de acordos internacionais; e o apoio ao exportador, mantendo em seu site informações sobre normas técnicas de qualquer país signatário da OMC.
Nesse universo complexo, a função do Inmetro é disponibilizar conhecimento e padrões que estejam em linha com maiores laboratórios do mundo. A discussão é técnica-científico-comercial. Daí a necessidade de Ph.D.s, porque é uma guerra de conhecimento.
Mas enfrenta problemas de pessoal, devido aos baixos salários. Em 2001, houve concurso para 140 servidores, com 3.000 candidatos do país inteiro. Metade desistiu por causa do salário inicial menor de R$ 2.000, com todos os penduricalhos.
Com algumas adaptações, o Inmetro poderá ser o Nist brasileiro.

Folha de S.Paulo - Luís Nassif: Os impasses na TV digital - 27/01/2006
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LUÍS NASSIF

Os impasses na TV digital

A novela da TV digital está no seguinte capítulo:
1. Na terça-feira, o CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) apresentou seu relatório sobre TV digital a vários ministros, incluindo os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo.
2. Na quarta, houve reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi uma apresentação ligeira.
3. Há ainda questões controvertidas. O CPqD juntou um conjunto de instituições de pesquisa para desenvolver o modelo brasileiro de TV digital. Existem divergências em pelo menos dois pontos: a questão da modulação e transmissão (desenvolvida pelo Mackenzie) e o terminal de acesso (desenvolvido pela Poli). Nos próximos dias, técnicos das três instituições se reunirão para chegar (ou não) a um consenso.
4. Mesmo dentro do governo, há quem julgue que o debate está insuficiente. Há necessidade de organizar todas as informações, separá-las em categorias, como as questões técnicas, os modelos de negócio, os interesses de todas as partes envolvidas.
5. A decisão sobre a TV digital sairá em fevereiro mesmo, não no dia 10. Nessa data será entregue apenas o relatório final da parte técnica e também da parte econômica, com estudos sobre projeções de penetração do set top box (espécie de decodificador), em função de preço.
6. Apesar das boas intenções do presidente da Câmara, Aldo Rabello, recomenda-se cuidado com o seminário que será realizado no Parlamento. Isso porque há uma enorme quantidade de deputados e senadores donos de concessões de rádio e televisão -muitas delas, inclusive, arrendadas para terceiros.
O grande problema na decisão é o rolo compressor montado pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa. O ministro defende um modelo que permita às emissoras abertas terem competitividade diante das TVs a cabo e da telefonia. Se se considerasse apenas esse elemento, o modelo japonês poderia ser o adequado, pelo fato de permitir a imagem em alta definição e a mobilidade (a capacidade de transmitir para celulares sem passar pela operadora).
Mas há outros pontos relevantes:
Política industrial: o sistema tem que permitir a fabricação de um aparelho que seja exportável. O padrão japonês só permite exportar para o Japão -que não é importador de televisores. O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) tem que participar das decisões.
Tecnologia: o sistema precisa permitir que o Brasil consiga se colocar como produtor de tecnologia, associando-se a um dos sistemas globais existentes. O japonês não dá essa abertura. De qualquer modo, o Ministério de Ciência e Tecnologia tem que participar desse debate.
Administração do espectro: com a convergência digital, há toda uma discussão sobre a alocação do espectro eletromagnético, o que bate direto no sistema de concessões, na questão do acesso à produção cultural, inclusão digital etc. O Ministério da Cultura tem que participar dessa discussão.
Até agora, se está falando de agentes do governo. Mas essas informações, de forma sistematizada, têm que chegar à opinião pública.

E-mail - Luisnassif@uol.com.br

Proposta Chaer

"Proposta para uma Estratégia de Comunicação

Ao
DIRETOR DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS
HUMBERTO JOSÉ ROCHA BRAZ

DESCRIÇÃO DA PROPOSTA

Apoiar o trabalho de comunicação da Brasil Telecom, em especial nas situações críticas que envolvam a imprensa e nas pendências judiciais.

Acompanhar os contenciosos e litígios de forma a trabalhar as informações de interesse da imprensa e que possam influenciar não só o entendimento da Justiça como também desestimular ajuizamento de ações contra a Companhia.

Criar, na Internet, um canal de comunicação com a comunidade jurídica - em especial, com a Magistratura - para oferecer subsídios e argumentos técnicos que possam ser usados em favor da Brasil Telecom no meio judicial, seja em julgamentos, seja para formar o convencimento dos juízes (...).

PRESSUPOSTOS

Em situações de conflito em que a temperatura do atrito se eleva muito acima da média não é recomendável que a assessoria de imprensa regular seja a interlocutora. O raciocínio é simples: o desgaste desse tipo de colisão, normalmente, compromete a relação futura. É aí que entra a equipe especializada em situações críticas.

A Magistratura, o Ministério Público, a Advocacia e a Imprensa, cada vez com maior freqüência, usam a Internet para se orientar seu trabalho ou fundamentar suas decisões. (...)

Não é por outra razão que este projeto contempla a produção e manutenção de levantamento que demonstre a predominância de vitórias da Brasil Telecom nas disputas em que a empresa é demandada.

DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS

Pesquisar e selecionar, em comum acordo com o Departamento Jurídico da Companhia o material a ser exibido no site.

Criar um "botão" para a seção "Telefonia" ou "Telecomunicações" no site Consultor Jurídico, de forma que todos os leitores do site tenham uma "porta" para o espaço jurídico da Brasil Telecom. (...) A maior parte dos leitores usuais do site é composta de juízes, advogados, promotores e outros operadores do mundo do direito (...)

Márcio Chaer
S.Paulo/SP, 2/8/2003"

 
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