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Sinopse

Um jovem príncipe encontra uma misteriosa adaga numa cidade recém-conquistada. A princesa local tenta se aproximar para recuperar o artefato. O que poucos sabem é que a adaga pode fazer seu portador viajar no tempo.

Crítica

Planejado para ser o novo Piratas do Caribe pela Disney, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo não conseguiu chegar nem perto dos filmes protagonizados por Johnny Depp – tanto em qualidade quanto em bilheteria. Baseado no game criado por Jordan Mechner, o longa-metragem tem direção do britânico Mike Newell (de Harry Potter e o Cálice de Fogo, 2005, e Quatro Casamentos e um Funeral, 1994), mas poderia muito bem ter sido comandado por Michael Bay, tamanho o uso de câmeras-lentas e pirotecnia nos longos 116 minutos de projeção.

Com roteiro de Boaz Yakim e da dupla Doug Miro e Carlo Bernard, Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo conta a história de Dastan (Jake Gyllenhaal), filho adotivo do grande rei Sharaman (Ronald Pickup). Ao invadir a cidade sagrada Alamut, procurando armas que estariam sendo entregues aos inimigos dos persas, Dastan e seus meio-irmãos, Tus (Richard Coyle) e Garsiv (Toby Kebell), conhecem a bela princesa Tamina (Gemma Arterton), que lhes garante que a cidade não esconde nenhuma ameaça. No entanto, não foi essa informação que teria chegado aos ouvidos do conselheiro e irmão do rei, Nizam (Ben Kingsley).

O rei não está contente pela invasão a uma cidade sagrada, mas se alegra ao ver os corajosos filhos vitoriosos na batalha. Tanto que sugere a união de Tus com a princesa Tamina. Antes de poder dar as bênçãos ao matrimônio, o rei é morto por uma túnica envenenada – presente de Dastan, que recebera das mãos de Tus o embrulho. Como era de se esperar, o filho adotivo é procurado pelo assassinato do rei e precisa fugir para provar sua inocência. No seu encalço está a princesa, guardiã da adaga do tempo, artefato que está em poder do príncipe desde a invasão bem sucedida de Alamut. Ela dá poderes ao seu portador para voltar no tempo e Dastan logo descobre que o grande vilão da história está de olho neste poderoso objeto.

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo é um verdadeiro vídeo-game. É, obviamente, a adaptação de um jogo, mas preserva várias de suas características em sua versão cinematográfica – para o bem e para o mal. O lado bom é que ele é bastante fiel aos movimentos do personagem. Se você está acostumado a ver o Príncipe dar piruetas, empunhar sua espada e lutar contra dezenas de inimigos, o longa-metragem oferece tudo isso. O lado ruim é que a montagem ultra-rápida e o desenho de produção totalmente computadorizado não deixa espaço algum para que o filme seja digerido pelo espectador. Os efeitos especiais são muito bons, mas por serem fantásticos demais, acabam traindo o naturalismo que qualquer produção de Hollywood procura.

Se não bastasse isso, Jake Gyllenhaal como ator de aventura deixa bastante a desejar. Seu talento é muito melhor empregado em filmes mais ousados como Donnie Darko (2001), O Segredo de Brokeback Mountain (2005), Zodíaco (2007) e, mais recentemente, O Homem Duplicado (2013) e O Abutre (2014). Nesta superprodução, Gyllenhaal consegue convencer no físico, mas nunca no tom do personagem. É bem verdade que o texto não ajuda. O resto do elenco, como um todo, não está ruim, mas parece estar no piloto automático. A única exceção e destaque verdadeiramente positivo fica para Alfred Molina com uma divertida performance como o falastrão Sheik Amar.

Desperdiçando uma premissa que poderia render um bom filme de aventura (o regresso no tempo é raramente utilizado na trama), Mike Newell tenta comandar o início de uma nova franquia milionária para a Disney, mas só consegue um filme mediano, que pode até divertir em dados momentos, sendo esquecível logo depois do final da sessão.

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é crítico de cinema, membro da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul. Jornalista, produz e apresenta o programa de cinema Moviola, transmitido pela Rádio Unisinos FM 103.3. É também editor do blog Paradoxo.
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